Introdução
A osteoporose é uma condição clínica caracterizada pela diminuição da densidade mineral óssea (DMO) e pelo aumento do risco de fraturas. Embora frequentemente associada à menopausa, a doença também pode surgir em fases específicas da vida reprodutiva feminina. Um exemplo raro, mas significativo, é a osteoporose associada à gravidez e lactação (PLO – Pregnancy and Lactation-Associated Osteoporosis), que ocorre geralmente no final da gestação ou nos primeiros meses após o parto.
Durante o período gestacional e de amamentação, o organismo feminino sofre intensas modificações hormonais e metabólicas para garantir o fornecimento de cálcio e fósforo ao feto e ao recém-nascido. Em alguns casos, entretanto, esse processo fisiológico pode resultar em perda óssea acelerada e fraturas, principalmente em vértebras e quadris.
Nos últimos anos, o uso de bisfosfonatos, medicamentos que inibem a reabsorção óssea, tem se mostrado promissor no tratamento da PLO. Este artigo apresenta uma revisão detalhada sobre os efeitos desses fármacos, baseada em um estudo clínico conduzido no Hospital Afiliado da Universidade de Qingdao (China), complementado por evidências de literatura internacional.
Entendendo a Osteoporose Associada à Gravidez e Lactação
A PLO é uma condição rara que se manifesta entre o final da gestação e até 18 meses após o parto. Estima-se que sua incidência gire em torno de 5,8% em mulheres jovens no pós-parto precoce, índice comparável ao observado em mulheres na faixa dos 50 a 59 anos.
As pacientes normalmente apresentam fraturas vertebrais por compressão, especialmente nas vértebras torácicas inferiores e lombares superiores, embora fraturas de quadril também sejam relatadas. A dor lombar intensa é, frequentemente, o primeiro sintoma clínico.
Entre os principais fatores predisponentes estão:
- Déficit de cálcio e vitamina D durante a gestação;
- Amamentação prolongada, que intensifica a mobilização de cálcio ósseo;
- Baixos níveis de estrogênio durante o pós-parto;
- Histórico genético de distúrbios ósseos (mutações em genes como LRP5, COL1A1 e COL1A2).
A fisiopatologia envolve o aumento da atividade do paratormônio relacionado à proteína (PTHrP) durante a lactação, somado à queda do estrogênio, levando a um desequilíbrio entre formação e reabsorção óssea.
Metodologia do Estudo
O estudo analisou três casos clínicos de mulheres jovens (27 a 32 anos) diagnosticadas com PLO no Hospital Afiliado da Universidade de Qingdao entre 2016 e 2019.
Todas as pacientes apresentavam:
- Fraturas vertebrais compressivas;
- Baixa densidade mineral óssea (T-score < -2,5 SD);
- Ausência de fatores de risco secundários como uso de corticoides, tabagismo ou alcoolismo.
O diagnóstico foi confirmado por densitometria óssea (DXA) utilizando o equipamento Primus Densitômetro Ósseo da OSTEO KOREA, com precisão CV ≤ 1%.
Além disso, exames laboratoriais de cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, vitamina D, paratormônio e marcadores de metabolismo ósseo foram realizados para excluir outras causas de osteoporose.
Tratamento Utilizado
O protocolo terapêutico incluiu:
- Suspensão da amamentação, para reduzir a demanda de cálcio materno;
- Suplementação diária de cálcio (0,6–1,2 g) e vitamina D ativa (1 µg/dia);
- Administração de bisfosfonatos, principalmente zoledronato (5 mg, IV);
- Em alguns casos, alendronato oral (70 mg/semana) foi adicionado quando os sintomas persistiam.
Além disso, foram utilizados medicamentos auxiliares, como calcitonina para alívio da dor e glicosamina como suporte à regeneração articular.
Resultados Clínicos
Os resultados mostraram melhora significativa em todos os casos:
| Caso | Medicamento principal | Aumento da DMO (Lombar) | Aumento da DMO (Quadril) | Tempo de resposta |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Zoledronato + Alendronato | +37,0% | +7,7% | 2 anos |
| 2 | Zoledronato IV | +16,6% | +13,3% | 11 meses |
| 3 | Zoledronato IV | +15,9% | +11,1% | 6 meses |
Em todos os casos, houve alívio da dor, recuperação da mobilidade e aumento consistente da densidade óssea medido pela DXA.
O estudo conclui que o tratamento com bisfosfonatos foi seguro, bem tolerado e eficaz, mesmo em pacientes com PLO grave.
Discussão: Como os Bisfosfonatos Atuam
Os bisfosfonatos são inibidores potentes da reabsorção óssea. Eles se ligam à matriz mineral (hidroxiapatita) e inibem a ação dos osteoclastos, as células responsáveis pela degradação óssea.
Entre os medicamentos utilizados:
- Alendronato e Risedronato são administrados por via oral (5–70 mg/semana);
- Ibandronato e Zoledronato são administrados por via intravenosa, com intervalos de 3 meses a 1 ano, o que favorece a adesão ao tratamento.
O zoledronato destaca-se pela alta afinidade pela matriz óssea e longa duração de efeito, sendo considerado o mais potente da classe. Uma única infusão anual pode reduzir a reabsorção óssea por até 12 meses.
Segurança e Considerações em Mulheres em Idade Fértil
Um ponto importante discutido na literatura é o uso de bisfosfonatos em mulheres em idade fértil. Como essas substâncias podem atravessar a placenta e permanecer no osso por anos, há preocupação com potenciais efeitos teratogênicos em gestações futuras.
Entretanto, uma revisão conduzida por Machairiotis et al. (2019), que analisou 16 estudos, mostrou ausência de efeitos adversos graves em gestantes expostas aos bisfosfonatos, com apenas casos leves e transitórios de hipocalcemia neonatal e baixo peso ao nascer.
Mesmo assim, recomenda-se evitar a concepção por pelo menos 12 meses após o término da terapia, garantindo segurança tanto para a mãe quanto para o feto.
Comparação com Outras Terapias
Além dos bisfosfonatos, outras opções terapêuticas para PLO incluem:
- Denosumabe: inibidor do RANKL, capaz de aumentar a densidade trabecular;
- Teriparatida (PTH 1–34): estimulador da formação óssea, usado em casos refratários;
- Estrógenos e moduladores seletivos dos receptores estrogênicos: com uso restrito devido a riscos tromboembólicos;
- Suplementação de cálcio e vitamina D: base essencial para qualquer regime terapêutico.
Contudo, os bisfosfonatos permanecem a primeira linha de tratamento devido à ampla experiência clínica, alta eficácia e baixo custo.
Implicações Clínicas e Prognóstico
A PLO, apesar de rara, tem impacto significativo na qualidade de vida da mulher em fase reprodutiva. A dor intensa, limitação funcional e o risco de fraturas múltiplas podem levar à incapacidade temporária.
O estudo reforça que o diagnóstico precoce e o início rápido da terapia com bisfosfonatos são fundamentais para melhorar o prognóstico. Quanto antes iniciado o tratamento, maior o ganho de densidade mineral óssea e mais rápida a recuperação funcional.
Outro ponto crítico é a educação pré-natal: mulheres com fatores de risco devem ser orientadas a suplementar cálcio e vitamina D durante a gestação e a limitar a amamentação prolongada, evitando o déficit mineral materno.
Conclusão
A osteoporose associada à gravidez e lactação é uma condição desafiadora e frequentemente subdiagnosticada. O estudo da Universidade de Qingdao e diversas evidências internacionais demonstram que o tratamento com bisfosfonatos é altamente eficaz para restaurar a densidade óssea e reduzir sintomas.
A terapia com zoledronato, em especial, mostrou resultados expressivos com apenas uma infusão anual, promovendo aumento de até 37% na DMO lombar e melhora clínica significativa.
Apesar de preocupações teóricas sobre o uso em idade fértil, os benefícios superam os riscos quando o tratamento é bem monitorado. Assim, os bisfosfonatos se consolidam como a principal arma terapêutica contra a PLO, oferecendo uma alternativa segura e eficiente para devolver qualidade de vida às mulheres afetadas.
Palavras-chave:
Osteoporose pós-parto, gravidez, lactação, densitometria óssea, bisfosfonatos, zoledronato, saúde da mulher, densidade mineral óssea, tratamento metabólico ósseo.
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